Quando se trata de viagens ferroviárias transfronteiriças no continente, é muito provável que a Eurostar seja o primeiro (e único) nome que te vem à cabeça. Os seus serviços tranquilos, rápidos e sustentáveis já transportam passageiros pelo Túnel do Canal da Mancha há já algum tempo. E, nos últimos trinta e tal anos, tem sido a única operadora comercial a fazê-lo. Mas parece que uma nova e ambiciosa operadora ferroviária poderá em breve dar um pouco de trabalho à Eurostar.
A Gemini Trains (uma startup britânica apoiada por um fundo soberano do Médio Oriente) entrou recentemente na conversa sobre viagens de comboio internacionais, anunciando os seus planos ambiciosos para lançar os seus próprios serviços de Londres para destinos como Paris, Bruxelas, Frankfurt, Düsseldorf e Colónia.
Embora a Eurostar possa ter atualmente um monopólio bastante forte no Túnel do Canal da Mancha, dizem que só usa cerca de 50% dos horários disponíveis na linha. A Gemini Trains planeia preencher esses horários com uma frota de oito comboios elétricos (cada um com capacidade para mais de 550 passageiros), oferecendo 11 serviços diários para Paris e Bruxelas, antes de se expandir rapidamente para várias cidades alemãs.

A viagem de comboio entre Londres e Colónia demora atualmente cerca de seis horas e inclui uma mudança a meio do percurso. Espera-se que os serviços diretos da Gemini demorem cerca de quatro horas no total, reduzindo o tempo de viagem em um terço. Os comboios da Gemini poderão entrar em circulação já em 2030 e oferecerão bilhetes a preços competitivos, assentos confortáveis, Wi-Fi de qualidade e opções de classe executiva um pouco mais sofisticadas também.
Já em 2025, a Gemini revelou que os seus comboios poderiam partir de Stratford International em vez de St Pancras International. O terminal do leste de Londres sempre esteve equipado com o necessário para receber comboios internacionais (afinal, a pista está no próprio nome). Mas, se tudo correr como planeado, os serviços da Gemini serão os primeiros comboios internacionais a usar Stratford International como terminal em Londres.

Adrian Quine, CEO da Gemini Trains, descreveu a empresa como «uma operadora disruptiva que desafia constantemente o status quo» e disse que a Gemini planeia «agitar as coisas, oferecendo novas rotas, novas estações, novos comboios, novos interiores, novas tarifas mais baratas e incentivando as pessoas a trocarem o avião pelo comboio».
Num comunicado feito em março de 2025, Adrian Quine disse: «A linha de alta velocidade que liga Londres ao continente através do Túnel do Canal da Mancha é uma das grandes rotas ferroviárias. Com toda uma nova geração a preferir o comboio ao avião, há uma grande oportunidade de trazer um verdadeiro espírito empreendedor e dinamismo, com tarifas competitivas, para a principal rota da Europa.»