A um curto passeio da estação de Old Street (que parecia uma «rua nova» em comparação com a última vez que visitei a zona), vais encontrar o restaurante japonês MITSU. Situado na relativamente tranquila Willow Street, entras pelas imponentes portas automáticas do hotel Aethos e viras logo à esquerda para te transportares para o Japão durante as próximas duas horas.
O MITSU orgulha-se de ser «o encontro entre a zona leste de Tóquio e a zona leste de Londres», e isso fica evidente desde o momento em que entras no restaurante. O que salta à vista logo à entrada é a decoração de inspiração japonesa — os painéis, as lanternas expostas, o vislumbre da área exterior através das janelas do chão ao teto — mas, olhando mais de perto, percebes detalhes bem londrinos, como a seleção de discos e obras de arte.
Jantei numa segunda-feira à noite e, por volta das 18h, começou a chegar um fluxo constante de clientes depois do trabalho; alguns sozinhos no bar, outros em casal nas mesas e até um grupo que se dirigiu diretamente para a sala de jantar privada. O MITSU inspira-se no izakaya, a cultura tradicional japonesa de gastropubs ou tabernas, que não está muito longe da nossa própria cultura de pubs: partilhar pratos, bebidas e uma conversa sobre o dia que acabou de passar.

Então, como é o menu do MITSU?
O menu do MITSU é bastante extenso, e não tenho vergonha de admitir que precisei de uma ajudinha para perceber o que era o quê. Os funcionários do restaurante estavam sempre à disposição — e muito prestáveis — para nos explicar os pratos e recomendar os seus favoritos; dava para perceber que a equipa era genuinamente apaixonada pela comida e pela experiência oferecida, e conversaram connosco de forma tão calorosa que tornaram a noite ainda mais agradável.
O menu foi concebido para ser partilhado, composto por petiscos de bar, pratos pequenos e pratos maiores — e há uma secção inteira dedicada ao sushi, que inclui sashimi, nigiri, temaki (embora com o seu toque pessoal) e makisushi. O meu prato favorito da noite foi o temaki de saquê: em vez da tradicional forma cónica, o MITSU cozinha o nori até se tornar uma casca estaladiça, quase como um taco. Essa textura combinada com o salmão macio e os sabores? Fenomenal. Foi devorado até ao último pedaço por quem, à mesa, normalmente não come sushi, o que é uma verdadeira prova de qualidade. O resto do sushi que provei estava fresco e saboroso; também gostei da diferença nos cortes do atum: o akami magro e o otoro mais gordo sabiam a duas carnes completamente diferentes.

No resto do menu, os pratos que mais se destacaram para mim foram os bolinhos de marisco com uma apresentação deslumbrante e o arroz do chef, ligeiramente adocicado e com um toque picante. Sei que provavelmente toda a gente vai elogiar o sanduíche de wagyu, mas eu preferi o de porco, com a sua gordura crocante, o pão e a carne macios e o sabor levemente trufado. Para mim, o frango jovem estava cozinhado da forma mais próxima possível da perfeição, mas o molho era um pouco forte demais. Embora não tenha experimentado o prato emblemático do restaurante, o Unadon (enguia grelhada sobre uma cama de arroz e panqueca de ovo, servida à mesa), vi boas críticas online.
Fui lá numa segunda-feira, mas o brunch do MITSU no último sábado do mês também atrai bastante gente, graças à cerimónia ao vivo de corte do atum rabilho e ao entretenimento animado. E, como a cozinha tenta ter o menor impacto possível no ambiente, o atum desta cerimónia é seco e usado no toro takuan makisushi do menu normal. Este compromisso também se reflete em vários pratos que utilizam diferentes partes da carne para garantir o mínimo de desperdício (por exemplo, o geso karaage usa os tentáculos da lula, já que o corpo é usado nos pratos de sushi) e na utilização de ingredientes de origem local do Reino Unido, sempre que possível.
E quanto às bebidas?
Por falar em produtos locais, o saquê de assinatura do MITSU vem praticamente da esquina: de um bar de saquê em London Bridge. É servido à maneira tradicional, com um excesso de líquido que escorre para o pires por baixo, e tinha um sabor leve e frutado — estava ao nível de alguns dos saquês mais agradáveis que já provei em Londres. A ementa de bebidas tem uma infinidade de outros saquês à escolha, além de cocktails personalizados, mocktails e outras bebidas mais simples. Além do saquê, o meu destaque foi o cocktail «Ota Market», com os seus toques doces de gengibre.

Como tinha de correr para casa para a ama, saí rapidamente depois da sobremesa (um suflê de chocolate glorioso, com um gelado de miso salgado de que me lembrei durante todo o caminho para casa). No entanto, o local também tem uma sala de karaoke, caso a noite ainda esteja no início — recomenda-se, no entanto, fazer reserva antecipada. Podes pedir mais comida num quiosque self-service e bebidas na máquina de venda automática enquanto cantas a noite toda. Uma sessão de masterclass de cocktails é outra opção divertida neste restaurante; é necessário reservar com antecedência.
O MITSU é um ótimo local japonês em Shoreditch para quem sai depois do trabalho, para um encontro com amigos ou para um encontro romântico. É uma refeição de alta qualidade sem aquele ambiente formal, e foi uma experiência muito agradável. O pessoal é simpático e fabuloso, e os pratos pequenos são mesmo o que dá vontade.