Os rapazes de Brighton da banda inglesa de metal Architects fizeram uma grande turnê na América do Norte e estão programados para tocar em toda a Europa no final do ano. No dia 12 de outubro, eles se apresentam no The O2, em Londres, em apoio ao seu último álbum The Sky, The Earth & All Between.
Nós conversamos com o vocalista Sam Carter e o baterista Dan Searle para falar sobre suas raízes e tudo sobre Brighton! Ambos ainda vivem no sul da Inglaterra, a cerca de quatro horas de distância um do outro. Eles falam sobre turnês no Reino Unido, lugares favoritos em casa e muito mais!
Confira nossa entrevista com Carter e Searle abaixo:
Sobre a cena musical em Brighton quando eram crianças…
Dan Searle: Quando éramos jovens, era muito diferente de como é agora. Não sei se é só porque estamos numa situação diferente ou porque estamos desligados dela. Parecia mesmo que havia muito mais bandas de improvisação e, às vezes, tocávamos em salões de igreja. Também havia muito cruzamento de géneros.
Sam Carter: Ainda é muito bom, a nova cena musical hardcore que está surgindo, eu vi amigos postando sobre isso. Mas nós estamos muito distantes disso.
DS: A cena da qual nós e o Bring Me From The Horizon viemos era uma cena de 15 a 20 bandas de metal hardcore que tocavam juntas e que se conheciam. Todos nós tocávamos nos mesmos bares pequenos no Reino Unido e saíamos em turnê uns com os outros – turnês marcadas pelo Myspace. Fazíamos esse tipo de espectáculos em Brighton a toda a hora. Tenho certeza de que não é mais assim.
SC: Era um verdadeiro faça-você-mesmo e tivemos sorte em Brighton; havia alguns locais ótimos. Alguns locais mais pequenos e fantásticos como o The Pressure Point e o Concorde, onde tocámos, era como um sonho na altura.
Sobre as digressões no Reino Unido…
DS: Sempre tivemos uma grande insegurança em relação às digressões no Reino Unido, porque quase nunca tocamos lá. Temos vindo a adiar e a adiar e a pensar que ninguém gosta de nós, e depois fazemos estes espectáculos e são vendidos 12.000 bilhetes.
SC: Sentimos sempre mais pressão em casa. Há sempre mais pessoas que querem vir apoiar-nos e estar connosco. E nós pensamos: “Só quero continuar com o espetáculo. Há qualquer coisa em estar longe e estar numa bolha noutro país.
DS: De certa forma, passamos tanto tempo em outros lugares que não parece que estamos em casa quando tocamos lá. Parece quase estrangeiro. Provavelmente é parecido com a sensação de quando os americanos vão ao Reino Unido. Estamos lá com tão pouca frequência que é muito estranho quando tocamos lá. Mas somos enormes, por isso devíamos fazê-lo mais vezes. [Risos].

Sobre os melhores sítios em Brighton…
SC: Em Brighton, os melhores sítios para comer são o The Salt Room, o Burnt Orange tem pratos pequenos, e estamos mesmo junto ao mar. Moshimo para sushi, e eles têm um bom menu vegan também. De manhã, se dermos a volta à curva, temos a Flynt House, que é muito boa. O café no 33’s é ótimo, e o Bond Street Coffee.
As melhores lojas de batatas fritas de Brighton são…
SC: As pequenas aldeias nos arredores de todo o lado têm as melhores lojas de batatas fritas.
DS: O Bankers Fish & Chops é o maior de Brighton. O meu primeiro emprego foi numa loja de batatas fritas, a tresandar a óleo. Comi batatas fritas e depois trabalhei num emprego de vendas durante 10 semanas. Trabalhei na Domino’s [Pizza] durante 4 horas.
Sam: Mais trabalhos estranhos…
SC: Fiz o turno da noite num supermercado durante um mês. Trabalhei numa loja de produtos naturais durante dois meses e fiz alguns trabalhos temporários no Natal. Basicamente, passei da faculdade diretamente para as bandas, porque tinha 17 anos quando me juntei aos Architects e passei o meu 19º aniversário em digressão. Tivemos a sorte de ter pais que nos deixavam ficar em casa entre as digressões.

Sobre as saudades da família e da vida doméstica durante as digressões…
SC: A família, os meus cães. Gosto dos inícios lentos da manhã. A família é a principal coisa; tudo o resto posso dispensar. Fora isso, adoro fazer digressões e estar fora; só gostava que a minha família estivesse connosco. Acho que é isso, quando se chega a esta altura da vida, o que importa mesmo é a família, não é?
DS: O mais difícil nas digressões é que o sono é mau. É uma das coisas de que sentimos falta: dormir na mesma cama, sem sermos acordados constantemente. Temos algum sentido de rotina em digressão, mas tal como quando estamos em casa, entramos numa rotina simples. Também é bom saber como está a correr o dia.
SC: Sinto-me mal quando perdemos datas importantes, aniversários ou datas comemorativas, coisas desse género. Não me sinto muito mal se faltarmos a casamentos, porque são um bocado chatos, [risos]
DS: É tão bom estar com toda a gente, mas, ao mesmo tempo, há muito pouco tempo para desligar. Temos de estar sempre rodeados de pessoas [em digressão].
SC: Sinto falta de fazer comida em casa porque temos de comer fora todos os dias. Há algo de bom no processo de fazer o jantar, estar presente e sentir que se está a comer algo saudável. Depois, passamos um fim de semana assim e pensamos: “Quem me dera estar a tocar em digressão. [Risos].
Sobre os anos de amizade…
SC: Vimos os diferentes lados um do outro, já que somos amigos há cerca de 20 anos. Também crescemos muito juntos, desde crianças a adultos, pais, pessoas que têm casa própria, cães e tudo o mais.
Quando nos conhecemos, éramos apenas crianças. Quando viemos para a América pela primeira vez, estávamos a perder dinheiro, tínhamos de telefonar para casa e perguntar: “Podem enviar-me um pouco de dinheiro? Para poder gastar cinco dólares por dia a comprar McDonald’s ao almoço e ao jantar?” Vimo-nos nos momentos mais difíceis e nos melhores momentos. Há uma enorme quantidade de amor e respeito entre todos nós.