É melhor terem os guarda-chuvas à mão, pessoal, porque o El Niño «sem precedentes» continua a desenvolver-se no Oceano Pacífico — e acabou de ultrapassar os recordes anteriores, tornando-se o«evento mais forte de que há registo». Os cientistas têm vindo a acompanhar de perto o fenómeno há já muitos meses e confirmaram que as temperaturas da superfície do mar atingiram um máximo histórico.
A 19 de setembro, as temperaturas diárias da superfície do mar numa região-chave do Pacífico equatorial central atingiram 3,05 °C acima da média de 1991-2020, ultrapassando assim o recorde diário anterior de 3,02 °C, que tinha sido estabelecido durante o «El Niño muito forte» de 2015. É altamente provável que o El Niño que se está a desenvolver neste momento seja o maior dos últimos 1000 anos, pelo menos.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenómeno climático natural que é declarado quando as temperaturas da superfície do mar em certas regiões sobem significativamente acima da média. Este fenómeno meteorológico ocorre aproximadamente a cada dois a sete anos e costuma durar cerca de um ano, afetando os padrões de circulação atmosférica, aumentando as temperaturas e influenciando a precipitação em todo o mundo.

Como é que este El Niño deverá afetar o Reino Unido?
Embora o Reino Unido fique a milhares de milhas de distância do Pacífico tropical, o tempo por aqui pode mesmo assim ser afetado por este fenómeno. É provável que o El Niño provoque condições mais chuvosas e tempestuosas em todo o noroeste da Europa durante o outono e o início do inverno. Os efeitos do El Niño no Reino Unido são menos certos e mais difíceis de prever do que noutras regiões, mas o Met Office vai ficar de olho no fenómeno à medida que este evolui e atualizar as previsões em conformidade.
O professor Adam Scaife, responsável pela Previsão de Longo Prazo do Met Office, afirmou: «Há meses que vínhamos a alertar que o El Niño que se está a desenvolver será um acontecimento sem precedentes. O facto de já ter ultrapassado os recordes anteriores — faltando ainda várias semanas para atingir o pico no final deste ano — demonstra a enormidade deste El Niño. Os cientistas ainda estão a avaliar se os impactos serão proporcionais à sua magnitude, mas já estamos a ver os efeitos esperados em todo o mundo.»