Bartholomew’s Hospital – mais conhecido por Barts – é o hospital mais antigo da Grã-Bretanha e um dos mais antigos de toda a Europa. Fundado em 1123 por Rahere, um cortesão do rei Henrique I, tem funcionado no mesmo local, na cidade de Londres, durante mais de 900 anos, sobrevivendo a monarcas, guerras, pragas e até a tentativas de o encerrar.
Um hospital que quase desapareceu
Barts, no bairro de Farrindgon e Clerkenwell, enfrentou o encerramento várias vezes, incluindo durante a Dissolução dos Mosteiros por Henrique VIII na década de 1530 e novamente no século XX. Mas o hospital foi refundado em 1546 e, em 2023, assinalou o seu 900º aniversário – um marco raro na história da medicina europeia. Atualmente, continua a funcionar como um dos principais centros médicos modernos.
Quem foi São Bartolomeu?
São Bartolomeu foi um dos doze apóstolos de Jesus. Segundo a tradição, Rahere teve uma visão do santo durante uma peregrinação a Roma, onde foi instruído a fundar um convento e um hospital em Londres para servir os pobres e os doentes. Essa visão lançou as bases para séculos de cuidados em Barts.
A parte mais antiga do hospital
Apesar de a maior parte do convento e do hospital do século XII já não sobreviver, os visitantes ainda podem ver a igreja medieval de São Bartolomeu, o Grande, que outrora fazia parte do convento. No interior do hospital, a secção mais antiga que sobrevive é a Ala Norte, construída no início do século XVII por James Gibbs. Esta ala inclui o Grande Salão e a famosa Escadaria Hogarth, decorada com pinturas de temática bíblica. Pode visitar o Grande Salão durante os concertos à luz das velas, em que milhares de velas iluminam espectaculares tributos musicais.
O Hospital St. Bartholomew’s é assombrado?
Barts tornou-se famoso pelas histórias de fantasmas contadas por funcionários e pacientes:
- O elevador do caixão: Um elevador onde uma enfermeira foi alegadamente morta por um paciente perturbado. Os funcionários afirmam que o seu fantasma ainda interfere com o elevador, prendendo as pessoas na cave antes de as deixar sair.
- A Dama Cinzenta: Uma enfermeira que supostamente se suicidou após um erro trágico. Diz-se que aparece em silêncio, abanando a cabeça em sinal de desaprovação.
- Outros Espíritos: As histórias incluem uma enfermeira que conforta os doentes moribundos com chá, um rapaz a chorar à procura dos pais – visto como um presságio de morte – e até uma aparição moderna que atravessa paredes.

O Grande Salão: Uma joia escondida
O Grande Salão foi outrora o centro da angariação de fundos e da governação do hospital. O seu teto de estuque ornamentado, da autoria de Jean Baptiste St Michele, a “Janela da Carta” restaurada do século XVII e a Escadaria Hogarth, com as suas pinturas de temática bíblica, continuam a ser pontos altos da arquitetura e da arte do hospital. Atualmente, os esforços de conservação apoiados pelo National Heritage Lottery Fund garantem que estes tesouros podem ser partilhados com os visitantes através de visitas guiadas e eventos, mantendo vivo o espírito de filantropia e cuidado.