Numa mudança histórica para a moeda britânica, o Banco de Inglaterra anunciou que a vida selvagem substituirá figuras históricas na próxima geração de notas bancárias e que o público terá um papel fundamental na escolha dos animais que irão adornar os desenhos.
A mudança marca o fim de uma era que começou na década de 1970, quando nomes como William Shakespeare, Jane Austen e Alan Turing se tornaram rostos familiares nas notas do país.
Em vez disso, a nova série apresentará espécies nativas do Reino Unido, celebrando as paisagens e a biodiversidade do país, ao mesmo tempo que reforça a resistência das notas à contrafação.
“O principal motivo para a introdução de uma nova série de notas é sempre aumentar a resistência à falsificação”, explicou Victoria Cleland, tesoureira-chefe do Banco. “Mas isso também oferece uma oportunidade para celebrar diferentes aspectos do Reino Unido.”
Uma celebração da natureza nas notas do Reino Unido
De acordo com o Banco, a natureza provou ser o tema mais popular entre 44 000 respostas em consultas públicas e grupos focais.
Cerca de 60% das pessoas escolheram esse tema como o seu preferido, bem à frente da arquitetura, das artes ou de figuras históricas notáveis.
O novo foco também vai alinhar os desenhos do Banco da Inglaterra com os que já estão a circular na Escócia, onde as notas com esquilos vermelhos, águias-pescadoras e lontras foram muito bem recebidas.
Um painel de especialistas, incluindo os cineastas de vida selvagem Gordon Buchanan, Miranda Krestovnikoff e Nadeem Perera , vai elaborar uma lista inicial, juntamente com Katy Bell, da Ulster Wildlife, e os académicos Steve Ormerod e Dawn Scott. Uma vez finalizada, essa lista será submetida a uma votação nacional neste verão.
«A vida selvagem do Reino Unido não está separada da nossa cultura», disse Perera. «Ela está presente nos emblemas dos nossos clubes de futebol, no nosso folclore, nas nossas costas e nas nossas infâncias. Dar-lhe espaço em algo tão simbólico como a nossa moeda parece algo que já devia ter sido feito há muito tempo e que é muito significativo.»
A decisão também põe fim a anos de debate sobre a representação nas notas britânicas. Em 2013, o Banco enfrentou críticas pela ausência de mulheres (além da monarca) e por nunca ter apresentado uma figura de origem negra ou de minorias étnicas.
O rei Carlos III continuará a aparecer na frente das notas, seguindo um costume que remonta a 1960. Mas o verso agora mudará de retratos para panoramas — potencialmente apresentando animais ao lado de plantas, paisagens e outros elementos naturais.
Um novo visual para a libra
Levará vários anos até que os novos desenhos entrem em circulação, mas o Banco espera que eles sejam tão visualmente impressionantes quanto simbólicos.
A equipa pode inspirar-se em sucessos internacionais, como a vibrante moeda de 5 dólares das Bermudas, que recentemente ganhou um prémio de design pela sua fusão de vida marinha, flora e imagens reais.
Por enquanto, o público britânico tem a palavra final. Seja a raposa vermelha, o papagaio-do-mar, o ouriço ou a andorinha, o próximo capítulo da libra promete homenagear algo muito mais antigo do que qualquer figura histórica: a vida selvagem duradoura das Ilhas Britânicas.